A Busca por Sentido e o Mundo de Veracruz (2026-01-14)
Últimos textos que venho escrevendo - fragmentos e outras coisas não romantizadas (reprodução livre para divulgação)
Joshua Glass
1/14/20267 min read


EM PRIMEIRO LUGAR, FELIZ ANO NOVO A TODOS!
DUAS VIDAS (QUERELAS)
Filho, te falaram que depois da tempestade vem a bonança? Deixa de fazer alarde por um copo d'água.
~ Bem fácil dizer. Mas vosmicê nunca viu uma nem outra. Quer me curar de uma doença que não conhece. Tua terra e tuas palavras são secas. Só não chora porque desconhece a água, e queres me falar da tempestade. Sabes tão pouco da minha vida quanto da vida em geral.
Que vida é essa que se entretece em lamúrias, que pouco ou nada faz de verdade e só se abriga atrás de impossíveis? Que vida é essa que não toca o chão mas quer tocar o céu, que não luta pelo que sonha mas agarra-se ao que machuca?
~ É a vida de quem tem olhos e se deita, não para beijar o chão, mas para olhar para cima. É a vida de quem quer algo maior do que o mundo, algo que não pode alcançar mas sobre o qual não consegue parar de pensar. Muito diferente da vida de um cão vira-lata, que anda para frente e para baixo, nunca vendo ao longe, e que se julga superior por estar acima de algo que consegue controlar, inda que seja o balde de lixo.
A ARQUITETURA DO MULTIVERSO VERACRUZ
Baixaterra = o Mundo humano, Real, com suas próprias excentricidades. Ele só é mostrado pelas suas partes mais interessantes, o que faz a história valer a pena mesmo quando nada de extraordinário acontece. O segredo está em retratar esse mundo da perspectiva dos doidos - e pelo ponto de vista das grandes possibilidades colapsadas pela lógica corriqueira banal. Aqui existem Causos do Cotidiano, Filósofos com perguntas certeiras demais para serem úteis, Piadas que apontam para uma ironia mais profunda da Realidade. Aqui está a autobiografia do autor.
Permaterra = seja por um aprofundamento na loucura ou na conspiração, seja por uma percepção de sentido oculta numa mensagem velada, seja por inexplicáveis coincidências triviais ou pelo desenvolvimento de uma ideia até suas últimas consequências sociais e globais, a quebra da conformidade social permite que certos indivíduos se manifestem como arautos de uma verdade mais profunda do que aquilo que o homem moderno e cético está disposto a acreditar. A permaterra é uma superposição quântica que cerceia a realidade terrena, criando espaço para erupções de sentido que vão desde Sociedades Secretas até coisas como o Efeito Mandela, Viagem no Tempo, Anomalias Etéreas e Contatos Extraterrestres. Aqui estão as histórias sobre o hacker Caterpillar, as viagens místicas de Josephus Vitruvius, partes da jornada de Major Daniel Frickles, partes da jornada de Delfo Plínio e a Pia Sociedade Furra de São Cristóvão.
Episfera = seja por viagem temporal fracassada, torção no espaço-tempo, viagem direta ou projeção mental, alguém pode escapar da Permaterra e cair em um dos muitos mundos da camada inferior do cosmos. Esses mundos obedecem a regras mais ou menos parecidas com a da terra, pois estratificaram-se (como o nosso) depois de todas as grandes acomodações quânticas. A grande diferença entre eles e uma versão meramente alternativa da Terra é que eles têm sua ramificação desde o começo dos tempos, de uma base ontológica funcional primitiva, e não de um momento qualquer da existência do nosso mundo, razão pela qual não estão presos a todas as regras da Terra. Eles são como o mundo poderia ter sido, se Deus tivesse criado a mesma base de realidade, mas permitido magia, espécies racionais não humanas e divindades menores. Aqui estão os Reinos de Elaron, o Mundo Perdido de Evarot e o Mundo Parado de Sora, entre muitos outros.
Permasfera = como navios num lago agitado pelas ondas do Destino, os Reinos da Episfera são apenas o que aparece acima da água: a água é a Permasfera, onde flutuam não somente as implicações, mas os próprios alicerces da Realidade. O que se esconde no seio de sua insondável profundidade? O que se espreita nas entrelinhas e nos espaços entre os mundos possíveis? Para alguns, o Caos, para outros, uma intrincada máquina cuja manutenção é o maior dever do Universo. Para outros, um lar: Arsástria. Esse é o nome que os Armadilos Armilares dão às águas supraestelares. Ameaças cósmicas, os Dissipantes são princípios de destruição metafísica universal, que tentam a cada segundo roubar a energia que mantém as rodas de Arsástria girando. Os encarregados de impedir essas bestas são conhecidos como a Armada dos Armadilos Armilares, uma força tarefa de tatus estelares que juraram proteger a Ordem contra o Caos.
Circunsfera = ao redor de todo o Universo existe uma zona cinzenta indefinida, onde o Caos começa a ficar mais forte conforme se aproximam os limites do imaginável. Ao se atingir a Última Fronteira, uma repulsa física indica que se chegou ao limite entre a existência e o nada. Uma redoma de vidro envolve o Mundo por cima e por baixo, e a única porta é profundamente encrustada numa Muralha de Gelo. Ela não pode ser trancada, por determinação divina – mas quem a abrir levará a si mesmo e a todo o Universo pelo ralo até a dissolução completa de qualquer memória ou conceito. A única forma de se chegar à altura da porta é pegar carona com o Titã Oceano, a Serpente que devora a si mesma em círculo e se enrola pelas camadas mais distantes e inabitadas da Permasfera. É ali, perto das fronteiras, que as forças quânticas de decaimento tomam forma o suficiente para fazer Dissipantes – mas eles tem medo da água e raramente se aproximam de Oceano. Esta é também a razão pela qual o Mal raramente consegue prevalecer em mundos úmidos e quentes, preferindo terras secas e planetas congelados. Em algum lugar recôndito entre um átomo e outro, esconde-se um eco de esperança vindo do Filho do Tempo.
As Duzentas e Trinta e Uma Portas = uma habitação liminar, onde a lógica obedece a regras próprias e inquietantes. Lugares com aparência de escritórios e quartos de hotéis limpos demais parecem estar sempre à beira de alguma grande estranheza. Aqui, você pode estar num Jardim repleto de Nogueiras, num terraço de Aeroporto, ou num loop arquitetônico que se desdobra como num sonho. Nada parece fazer sentido, e as coisas se justificam pela Presença mesmo se o sentido está ausente. Todas as grandes sensações estéticas podem ser provadas aqui, e existe uma sala que corresponde exatamente àquela ideia estranha que você teve – mas não se lembra como era, porque estava entre o sonho e a vigília. Ninguém sabe ao certo que lugar é esse, nem o número de salas, mas todos que sonharam com ele, independente do tempo ou universo em que se encontravam, tiveram a intuição de que jamais descansariam de verdade a menos que descobrissem o significado e o conteúdo da Sala 231.
Altaterra = Camada superior de Veracruz, mundo simbólico, onde as coisas existem por imposição estética e por alegoria. Composta de diversos Reinos: o Inferno, o Mar de Rosas, o Reino da Cocada Branca, o Vale dos Esquecidos, o Monte Tério e o Mar de Sangue. Desse mundo feito de vários Anéis Armilares é possível ver toda Veracruz, com seus muitos mundos flutuantes lá embaixo, descendo pelas camadas da Nocisfera (Permasfera, Episfera e Permaterra), até o Mundo Real, com seu centro em Jerusalém. Aqui, no centro dos muitos Anéis, ao redor dos quais flutuam incontáveis rodas dentro de rodas, brilha uma Luz que não é a luz de uma estrela, mas a porta do próprio Paraíso. Na Altaterra vivem Sr. Figs, o Texugo, o Rei da Cocada Branca, o Espantalho, Tio Gilberto (Chesterton), Mozart, São Tomás de Aquino e muitos outros.
O Romance principal ao redor do qual orbitam todos os arcos é O Sol Sobre o Mar de Sangue, relato biográfico de Joshua Glass: jovem escritor, poeta, último papa e estudioso do multiverso. A coletânea "Crônicas de Veracruz" inclui também as Aventuras Completas de Sir Daniel Frickles (felino de pelo laranja, cego de um olho, ás da aviação, veterano da Força Aérea Britânica e atualmente Cavaleiro da Soberana Ordem Estelar de São Luís Nono), as viagens do Investigador Paranormal Erick "Fox" Thompson pela Quinta Dimensão e os Arquivos de Abdução de Setealem, as Atas das Guerras do Chá de Sucralândia e as coleções de Poesia Matinal à moda da Casa, as Lendas dos Dias Antigos de Elaron e as aventuras de Sr. Parrot Andarilho Solar.
Frase chave:
"Amigo é aquela pessoa que você não consegue impedir de ir embora, mas espera reencontrar em Outro Mundo.
Casa é aquele lugar que é Mais Real que os outros, é onde você acha o Lado de Dentro.
Magia é reencontrar o Outro Mundo em Casa. É achar lá Dentro aquele Amigo que é Mais Real que os outros, e descobrir que Ele nunca tinha ido embora"
A comparação: "Mais Real que os outros", aparece em vários lugares e na boca de vários personagens.
"Você acha que a Terra Baixa é mais Real que Elaron? Não, meu filho. Ambas são igualmente reais, mas o que muda é a consistência. Aqui, a matéria pesa menos que o sentido, e os números valem menos que a força de vontade numa grande batalha. Alhures é o contrário: os bons são ridicularizados, os maus se fartam, a vida passa como se o sentido não tocasse nunca a matéria. Porque o Bem não se sente, muitas vezes apenas se sabe. Lá o Mal prefere agir por cinismo, aqui ele se revela claramente. A Terra, lugar de equilíbrio, está entre esses dois lugares - um pouco à esquerda, devo admitir, por causa da culpa Adão. Mesmo assim, os que vivem lá tem fome o suficiente de sentido para achar a Verdade, se buscarem com prudência e determinação. Ainda após eles vêm outros mundos, onde a carne é demais exaltada, e ninguém nem se importa em pensar ou falar - porque, ao contrário, estão confortáveis e deliciados demais só por existirem no corpo. Isso para mostrar que o problema não está na dor, na verdade."